16 de novembro de 2009

Fantasy I & II


Ilustração para a Revista Mutante n.º 2, Novembro de 2008. Pedro Neves é o autor do texto que acompanha este desenho.

Há muito que te olhava, que observava o teu silêncio. Em silêncio. O céu era como tu. Suave, difuso, intenso. Estava tão cheio de alma, da tua alma. Há coisas que não se explicam. Tu não te explicas nem eu me explico a ti. O silêncio também não se explica, sente-se, ouve-se. Invade. Há coisas que só se fazem em silêncio. Há sentimentos que só se têm em silêncio. As estrelas não precisam de ruído para brilhar. Tu também não. Brilhas por ti só, só por olhares, só por estares. Nunca vi fogo cujas chamas não quisessem alcançar o céu. O fogo sobe, sobe sempre. Mas o teu fogo é diferente. O teu fogo cai. Vejo-o nos teus cabelos que me parecem fogo, fogo negro que cai em direcção à terra, que espalha o calor pelas montanhas e planícies, que aquece as superfícies geladas, que conforta corações endurecidos.
É fogo que arde ameno, suave, onde apetece por a mão, onde se sente uma brisa morna, macia, que leva até ti o meu olhar, que aquece a minha fala, que vagueia no silêncio. É fogo que acolhe.

Gosto que te sentes no céu. Gosto que te sintas no céu. Gosto de te ver parte dessa imensidão. Gosto que te mistures com o vento, com o ar morno, com a neblina da manhã. Fazes tão parte deles como eles fazem de ti. Os teus olhos negros, os teus olhos brilhantes, os teus olhos sinceros, os teus olhos que me olham. As tuas palavras, o calor das tuas palavras que não se ouvem mas que se espalham e se sentem, que ecoam suavemente, que se reflectem nas nuvens, que se aquecem no sol. Dizes-me tanto, tanto. Contas-me tantas histórias que queria ouvir, que preciso ouvir. Todos somos feitos de histórias. São as histórias que nos fazem o que somos, que nos moldam. Nós moldamo-nos nas histórias, fazemos parte delas. Eu sou feita de histórias. Nós dois somos feitos de histórias, de contos. Somos o que queremos ser. Transformamos a nossa essência, a nossa vida, o nosso espaço, o nosso tempo. Mudamos ao sabor do vento, do invento, do acontecimento. Podemos ser tudo. Tu, tu que olhas para mim. Tu que sabes quem sou, como sou. Tu que me vês como ninguém. Tu que tantas vezes me confundes com as estrelas. Já me imaginaste nas tuas mãos?

3 comentários:

SMC disse...

cm 1 desenho m caracteriza tao bem!!!

SMC disse...

o texto é algo q complementa o desenho d 1a forma...única!!!


a vossa cumplicidade é surpreendente!!!

continuem...qm sabe s um dia eu tb ñ terei direito a 1 texto ;)

Sara Quaresma Capitão disse...

Su obrigada pelas tuas palavras.
Tenho o prazer de ser amiga de há muitos e muitos anos do Pedro e realmente só ele consegue por em palavras os meus traços.
A ele agradeço os textos, mas acima de tudo a doce amizade que temos.